get lost

coleção postal

Em nossa constante busca por experimentar com o processo projetual, decidimos novamente explorar a influência da comunicação no trabalho em dupla. Na coleção shh., apresentada na edição passada do MADE, utilizamos o silêncio como conceito e desafio, projetando sem utilizar a linguagem verbal. Nesta edição, apresentamos a coleção postal, uma investigação sobre a relação entre distância espacial e temporal na comunicação.

Após visitarmos uma tradicional fábrica de luminárias, nos sentimos como saídos de uma viagem no tempo, uma experiência à la “Meia-noite em Paris”, e conversamos sobre como seria projetar à distância em uma outra época. A inspiração veio da dupla “The Kills”, que no início da carreira colaborava à distância enviando fitas com músicas pelo correio: um nos EUA, o outro na Inglaterra.

Projetar pelo correio, esta foi a nossa premissa.

Entre o final de Abril e o início de Junho de 2016, trocamos cartas semanalmente, um total de 10 cartas. As primeiras cartas foram enviadas simultaneamente, com a reflexão inicial de cada um sobre o briefing: uma linha de luminárias. As seguintes foram respondidas alternadamente, até a seleção das alternativas para detalhamento.

Ao longo do processo, a distância tornou-se evidente de diversas maneiras:

A distância espacial entre nós, vivendo em cidades diferentes, refletida em distância temporal entre cada etapa da discussão sobre o projeto.

A distância entre a ideia escrita e enviada por carta, e a ideia em evolução na mente após uma semana, quando se recebe a resposta.

A distância para com o próprio ato de escrever, enviar e receber uma carta, tão pouco comum no nosso dia a dia.

A distância temporal entre o desenvolvimento da ideia, em 2016, e a produção das peças em 2017.

As luminárias refletem o sentimento nostálgico dos anos 20, um passado “dourado”, porém com uma leitura contemporânea voltada à praticidade e ao morar inteligente, um conceito que chamamos de “fancy boêmio versátil”.

O “fancy boêmio” está presente nos materiais, acabamentos e formas, que fazem referência a instrumentos de jazz, bem como na iluminação indireta proporcionada pelas luminárias, que cria uma atmosfera nostálgica. O “versátil” manifesta-se na construção da linha, que pode ter sua função alterada entre luminária de parede ou de chão com a variação de apenas uma peça.